Do Tronco ao Poste

Um texto descrito abaixo da imagem de capa do Jornal Extra, do Rio de Janeiro, eivado de comparações indignas, fazendo pouco caso das vítimas do assalto, dizendo:

Imagem Jornal Extra de 06JUL2015

Os 200 anos entre as duas cenas acima servem de reflexão: evoluímos ou regredimos? Se antes os escravos eram chamados à praça para verem com os próprios olhos o corretivo que poupava apenas os “homens de sangue azul, juízes, clero, oficiais e vereadores”, hoje avançamos para trás. Cleidenilson da Silva, de 29 anos, negro, jovem e favelado como a imensa maioria das vítimas de nossa violência, foi linchado após assaltar um bar em São Luís, no Maranhão. Se em 1815 a multidão assistia, impotente, à barbárie, em 2015 a maciça maioria aplaude a selvageria. Literalmente – como no subúrbio de São Luís – ou pela internet. Dos 1.817 comentários no Facebook do EXTRA, 71% apoiaram os feitores contemporâneos.”

Logicamente que não apoiamos tal selvageria ou incitamos a violência, mais esse jornal para vender suas matérias enche de adjetivos benéficos, o tal assaltante, acredito que ele fez uma escolha na vida, a escolha errada, ele poderia optar por estudar, trabalhar, ser honesto e levar uma vida digna, mas decidiu pelo caminho contrário.

Diariamente milhares de jovens pobres, favelados, negros que possuem caráter e dignidade, batalham para ser honestos, e esse assaltante, foi vítima dele mesmo, do mal que pregoava e que voltou-se contra si, da violência que interpôs à sociedade, que a devolveu na mesma moeda.

Quando esses assaltantes, adentram em residências de pessoas fidedignas, os ameaçam com armas, os amarram e amordaçam, causam torturas físicas e psicológicas, para conseguir dinheiro e bens, o trauma permanece para a vida toda, não observamos a imprensa dar tal importância, não observamos contabilizarem os prejuízos emocionais, não observamos os direitos humanos manifestarem-se, não observamos as vezes a Polícia agir com tamanho afinco.

A sociedade está cansada de ser assaltada, está cansada de sofrer com a violência desses marginais, está farta de trabalhar dia a dia para conquistar seus bens e pecúlio e serem levados na maior facilidade. Parece que este jornal apoia este tipo de crime, ou que nenhuma atitude deveria ser tomada?

Comparar assaltantes, bandidos e marginais aos escravos que lutavam por seus direitos de cidadania, querendo ser livres e cuidar de suas famílias. Este cidadão assaltante era livre, praticava o mal, semeava o terror a suas vítimas, tinha direito de escolha, os escravos não e sofreram terrivelmente, e ainda carregam marcas dessa herança até hoje.

Gilberto Marinho

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